Longe das luzes das ribaltas, fora dos grandes circuitos dos média trabalha com discrição e, como tal, com eficácia.

É contrária à caridade-espectáculo e não quer de forma alguma ferir a dignidade a que têm direito os desfavorecidos, aos quais devemos todo o nosso respeito.

Recusando o dispender em publicidade toda e qualquer verba, consagra a totalidade dos seus meios ao essencial na luta contra o sofrimento, a pobreza e o sub-desenvolvimento, animada pelo espírito de São Vicente de Paulo.

 

A Sociedade de São Vicente de Paulo, conhecida também como Conferências Vicentinas, é um organização católica internacional de leigos, fundada em Paris/França, a 23 de Abril de 1833, pelo jovem universitário Frédéric Ozanam e mais seis companheiros, em resposta aos ateus e materialistas que contestavam: "os católicos devem-se orgulhar da sua religião no passado. Hoje o cristianismo está morto. Onde estão as obras que justificam a vossa fé?"

Ozanam, então estudante com 20 anos de idade, e alguns jovens amigos sentiram com Emanuel Bailly, o mais idoso, a inspiração de se unirem para o serviço aos pobres, da maneira mais humilde e discreta, no âmbito de sua vida familiar e profissional.

Sentiam, primeiramente, a necessidade de dar testemunho de sua fé cristã, mais por actos do que com palavras. Consideravam como seus irmãos os infelizes, quaisquer que fossem eles e a espécie de seu sofrimento. Neles viam o Cristo sofredor. Amavam-nos como homens confrontados com o mundo e suas misérias, e também a dignidade daqueles aos quais, em primeiro lugar, é dado o Reino de Deus.

Desde que entraram em contacto pessoal com os pobres, perceberam que a caridade é inseparável das exigências da justiça. Na medida do seu alcance, reivindicaram-na para os pobres. Mas, se nem sempre é possível obter justiça aqui na Terra, quiseram fazer, ao menos, o que dependia dos próprios, simples estudantes: dar, pessoalmente, aquilo que o mais pobre pode dar, a partilha do seu tempo, de seus modestos recursos, de sua presença, de seu diálogo, e tudo o que pode ser feito para tentar ajudar eficazmente. Partindo daí, pareceu-lhes que para compreender os pobres é preciso primeiramente ser pobre com eles.

Assim vivida, aquela que ia tornar-se a Sociedade de São Vicente de Paulo, não podia senão chamá-los ao aprofundamento de sua vida espiritual.

Viver em contacto pessoal com os que sofrem, viver unidos em comum e com tal espírito, é a própria essência e o carácter original da Sociedade de São Vicente de Paulo. Para a época e da parte de leigos, a iniciativa de Ozanam e seus amigos exprime uma antecipação profética. Aspiravam nas próprias fontes da Palavra de Deus e da tradição cristã.

Colocada sob o patrocínio de São Vicente de Paulo, a Sociedade inspira-se no pensamento e na obra deste santo, esforçando-se, sob o influxo da Justiça e da Caridade, por aliviar os sofrimentos do próximo mediante o trabalho coordenado dos seus membros.

 

Desde a primeira Conferência, fundada em Paris, a Sociedade de São Vicente de Paulo não parou de crescer em todo o mundo, estando hoje presente em 132 países. Actualmente conta com cerca de 1 milhão de membros. 

De carácter católico, a Sociedade está aberta a quantos desejem viver a sua fé no amor e no serviço aos irmãos. Fiel aos seus fundadores, a S.S.V.P. procura renovar-se constantemente e adaptar-se às condições mutáveis do mundo.

Nenhuma obra de caridade é estranha à S.S.V.P.. A sua acção compreende qualquer forma de ajuda, por contacto pessoal, no sentido de aliviar o sofrimento e promover a dignidade e a integridade do homem. A Sociedade não somente procura mitigar a miséria, mas também descobrir e remediar as situações que a geram. Leva a sua ajuda a quantos dela necessitam, independentemente de raça, côr, credo político ou religioso e posição social.

Os membros da S.S.V.P. são unidos entre si pelo espírito de pobreza e de partilha. Formam no mundo inteiro, com aqueles a quem prestam auxílio, uma só família

 

Em Portugal, a S.S.V.P. existe desde 1859, contando actualmente com a colaboração de 12.000 Vicentinos, organizados em cerca de 1.000 Conferências que dão apoio regular a 20.000 famílias.

A S.S.V.P. é uma organização católica de leigos que voluntariamente se empenham no apoio a pessoas e famílias marginalizadas, privilegiando o contacto pessoal e a visita domiciliária, não só com vista a aliviar situações de carência material e moral, mas também a descobrir e ajudar a solucionar as suas causas. Exemplos dessas situações são as seguintes:

Tem vários projectos, entre outros a Casa Ozanam em Santa Maria da Feira, Lar de Idosos de Estremoz, Casa Pedro Frassati em Lisboa para receber tetra e paraplégicos e o Projecto Irmão de acção missionária.

A S.S.V.P. também mantém e dirige Lares, Centros de Dia, Jardins de Infância e Colónias de Férias.